terça-feira, 10 de setembro de 2019

O tempo passa muito rápido


O
 tempo passa muito rápido, e principalmente quando vivemos num período de grande transição no cenário político.  Mais ainda quando o período anterior fica caracterizado pela descoberta, ou melhor, pela evidência de desmandos e incontáveis crimes que vieram à tona graças principalmente às ações da Lava-Jato.
As últimas eleições nos trouxeram pequenos avanços, mas a renovação alcançada não foi ainda vista como a ideal. Vários caciques conseguiram a reeleição, assim como parentes e amigos mais próximos, também foram eleitos. As Cadeiras de nossas Casas legislativas continuam contaminadas. E nos resta a esperança que nas próximas eleições os resultados sejam com novos nomes, independentes, e com fichas mais limpas.
Sabemos que a corrupção não é uma exclusividade do mundo capitalista, que está presente em todos os sistemas, e que dificilmente será extinta. Que está no gene do homem. A grande diferença está na impunidade, que no Brasil parecia não ter fim, da mesma forma que se vê em diversos países, com destaque para o Terceiro Mundo.
Os partidos que dominaram o cenário durante vários anos, independente das siglas, começaram a sentir uma queda após o avanço da Lava-Jato e o impeachment de Dilma, em 2013.
Os primeiros resultados atingiram diretamente no seio da sociedade, principalmente de uma grande parte que desejava mudanças, e que seria a responsável direta pela eleição do atual governo, com suas promessas de um novo rumo para o país.
Esta mudança desnudou uma esquerda que iniciou pragmática, com grandes promessas, principalmente nas áreas sociais, mas que se deixou levar pelo enriquecimento ilícito de muitos de seus líderes, pelo mal uso das verbas de campanha, pela necessidade de  quitar dívidas com empresas e empresários, e que tiveram por base negócios escusos, fraudulentos e as incríveis vendas de votos, era a corrupção que se mostrava cada vez mais incontrolável, impune e presente em todos os setores do governo, do mais baixo ao mais alto escalão.
Com ações inclusive no exterior, a Lava-Jato, com a mão firme de parte do Judiciário, nos revelou situações que envergonham o Brasil, que não foi mais atacado porque conseguiu tirar uma Presidente do poder, que cometeu um crime de responsabilidade, mas que a esquerda considerava como “normal”, pois já tinha sido feito antes, e como maior destaque, a prisão do ex-Presidente Lula, um líder incontestável, considerado culpado pelo crime de corrupção, entre outras acusações. Destaca-se também o ex-Governador Sérgio Cabral com suas diversas condenações.  Todos com provas materiais e inquestionáveis, além de diversos depoimentos, frutos de delações premiadas de empresários e ex-seguidores, alguns do mais alto escalão das Executivas regionais e nacional.
Atualmente já é possível notar as articulações para 2020. Alguns partidos, como PT, PSB, PDT, Rede e PSOL, se posicionam cada vez mais próximos para tentar a vitória no Rio de Janeiro, nas eleições para Prefeito, Vice-Prefeito e Vereadores, e contam com apoio de uma população vista tradicionalmente como do contra, e  que aprovou para a Prefeitura, Eduardo Paes (PMDB), em 2012, em primeiro turno, e em 2016, Marcelo Crivella, do Republicanos, em segundo turno, com quase 60% dos votos sobre Marcelo Freixo, o candidato do radical PSOL, maior derrotado em ambas eleições.
Por outro lado, o atual Prefeito Marcelo Crivella, que apesar de suas posições polêmicas em relação à sua formação conservadora e religiosa, sempre amparado e instruído pelo tio Bispo Edir Macêdo, hoje, alinhado com o Presidente Bolsonaro, espera ver nesta aliança sua base para a reeleição. Partidos como o PP e o Solidariedade, já acenam para o Prefeito, assim como o Governador Witzel (PSC), que deu um cargo para o filho de Crivella, como prova de proposta para uma futura união.
Como é fácil notar, o Rio de Janeiro vai continuar com opções de difícil solução para a Prefeitura do Município. A oposição, mesmo que consiga apoio de caciques como Ciro Gomes e Marina da Silva, não parece ter a força necessária para mostrar que está longe dos escândalos da Lava-Jato.
Do outro lado, a paralisação da cidade, com obras atrasadas ou paradas, o excesso de religião na administração da cidade, principalmente da evangélica, e a omissão da Prefeitura em diversos eventos que deveria estar na frente, faz com que a reeleição também não seja tão fácil como se imagina.
Além do enfrentamento com a oposição, capitaneada pelo PSOL, existem aqueles que apoiam o Presidente mas não se empolgam com seu comportamento. Sobram, também como forças no Rio de Janeiro, o eterno e sempre em cima do muro, MDB, atualmente mais sumido depois dos envolvimentos de Sérgio Cabral, ex-Governador, e Jorge Picciani, ex-Presidente da Assembléia Legislativa, em diversos processos e condenações em crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, entre outros processos.
Sobra para o DEM, de Eduardo Paes, que ainda sofre com o nocaute de Witzel na última eleição, a função de um fiel da balança, que hoje parece pender um pouco mais para o lado de Crivella, mas que pode mudar se resolverem seguir um caminho próprio.
E por tudo isso, por essa mistura de gosto ruim, e não vendo nada que agrade, e por entender que na verdadeira democracia  não cabem nenhum tipo de reprimendas ou censuras,  pergunto mais uma vez:  Por que sou OBRIGADO a votar?

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