segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Estados que sustentam o Brasil :
    
E ainda querem criar mais Estados no Brasi.
Na federação norte-americana, a regra básica foi que para entrar na União, o Estado produzisse riquezas e fosse autosufiente... E aqui?!
 
Veja abaixo quanto cada Estado recebe e repassa ao Governo Federal (via arrecadação de Impostos ). Depois faça as contas e veja quem sustenta quem? É assustador... 
O Brasil que trabalha... 
Estado
Quanto paga ao governo federal
Quanto recebe do governo federal
Em vermelho ficou devendo e Verde Fica sobrando 

Maranhão 
1.886.861.994,84
9.831.790.540,24
-7.944.928.545,40
Bahia 
9.830.083.697,06
17.275.802.516,78
-7.445.718.819,72
Pará 
2.544.116.965,09
9.101.282.246,80
-6.557.165.281,71
Ceará 
4.845.815.126,84
10.819.258.581,80
-5.973.443.454,96
Paraíba 
1.353.784.216,43
5.993.161.190,25
-4.639.376.973,82
Piauí 
843.698.017,31
5.346.494.154,99
-4.502.796.137,68
Alagoas 
937.683.021,32
5.034.000.986,56
-4.096.317.965,24
Pernambuco 
7.228.568.170,86
11.035.453.757,64
-3.806.885.586,78
Rio Grande do Norte
1.423.354.052,68
5.094.159.612,85
-3.670.805.560,17
Tocantins 
482.297.969,89
3.687.285.166,85
-3.204.987.196,96
Sergipe 
1.025.382.562,89
3.884.995.979,60
-2.859.613.416,71
Acre 
244.750.128,94
2.656.845.240,92
-2.412.095.111,98
Amapá 
225.847.873,82
2.061.977.040,18
-1.836.129.166,36
Rondônia 
686.396.463,36
2.488.438.619,93
-1.802.042.156,57
Mato Grosso 
2.080.530.300,55
3.864.040.162,26
-1.783.509.861,71
Roraima 
200.919.261,72
1.822.752.349,69
-1.621.833.087,97
Mato Grosso do Sul
1.540.859.248,86
2.804.306.811,00
-1.263.447.562,14
Goiás 
5.397.629.534,72
5.574.250.551,47
-176.621.016,75
Amazonas 
6.283.046.181,11
3.918.321.477,20
2.364.724.703,91
Espírito Santo
8.054.204.123,90
3.639.995.935,80
4.414.208.188,10
Santa Catarina
13.479.633.690,29
5.239.089.364,89
8.240.544.325,40
Minas Gerais 
26.555.017.384,87
17.075.765.819,42
9.479.251.565,45
Paraná 
21.686.569.501,93
9.219.952.959,85
12.466.616.542,08
Rio Grande do Sul
21.978.881.644,52
9.199.070.108,62
12.779.811.535,90
Rio de Janeiro
101.964.282.067,55
16.005.043.354,79
85.959.238.712,76
São Paulo 
204.151.379.293,05
22.737.265.406,96
181.414.113.886,09

Maranhão - O que recebe mais esmola, seguido da Bahia e do Pará. 
São Paulo 
- O que dá mais esmola .

Dos 26 Estados da Federação:
18 = Dão Prejuízo (Recebem pra Viver)

08 = Dão Lucro (Pagam pra Viver)

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Chile elimina obrigatoriedade do voto e moderniza censo eleitoral

Por Martin Bernetti 

O presidente do Chile, Sebastián Piñera, promulgou nesta segunda-feira uma lei que acaba com o voto obrigatório e estabelece a inscrição automática, o que supõe um aumento de 4,5 milhões de potenciais eleitores, 80% deles menores de 35 anos, em uma medida que busca aprimorar a democracia chilena.
"É um dia histórico para nossa democracia porque promulgaremos uma lei que vai gerar uma mudança profunda na forma como nossa democracia funciona e (...) a tornará mais legítima, jovem e participativa", disse Piñera em coletiva de imprensa.
O novo censo eleitoral dobrará o número de potenciais eleitores e 37% do total serão menores de 29 anos. Além disso, as mesas eleitorais deixarão de separar os homens das mulheres e se transformarão em mistas, uma transformação que já será visível nas próximas eleições municipais de outubro deste ano.
A reforma acaba com o sistema imposto pela ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990), que estabeleceu a inscrição voluntária para os maiores de 18 anos, mas vitalícia uma vez que se declarassem votantes, com fortes sanções econômicas para aqueles que não votaram.
Piñera alertou para os sinais de "fadiga" que a democracia chilena apresentou em sua opinião nos últimos tempos e da "perda ou enfraquecimento do prestígio das principais instituições democráticas".
O governo quer complementar a reforma política com uma lei de primárias vinculantes, outra que permita o voto aos chilenos residentes no exterior - cuja tramitação continua parada no Congresso - e nas últimas semanas incentivou a discussão sobre uma mudança no sistema eleitoral binominal.
Esta norma, também herdada da ditadura, determina a eleição de dois representantes ao Congresso por distrito. A coalizão mais votada obtém o primeiro representante e o outro corresponde à segunda.
Para que um partido obtenha dois representantes deve superar em dobro a segunda coalizão mais votada, o que favorece à direita chilena, que com apenas um terço dos votos garantiu uma representação muito superior no Congresso desde a implantação da democracia.
A iniciativa de Piñera para discutir mudanças no sistema binominal provocou uma divisão na coalizão dominante, que se evidenciou na semana passada quando um de seus partidos, Renovação Nacional, apresentou um documento de proposta junto à opositora Democracia Cristã, um partido de centro que forma parte do bloqueio da Concertación.
A União Democrática Independente (UDI), o segundo partido governista, expressou seu profundo mal-estar pela iniciativa da RN e mostrou suas reticências a mudar o sistema.
Piñera, por sua vez, convocou os dirigentes governistas para uma reunião nesta terça-feira e pediu à unidade para continuar melhorando o sistema democrático chileno.
"Esta reforma (do voto voluntário) é um gigantesco passo adiante, mas não significa que com ela se esgotem as melhorias a nossa democracia. Isso é uma tarefa permanente que vamos ter que enfrentar com visão, com unidade e reflexão. Enfim, a democracia deve ser algo que nos una e não que nos divida", disse o presidente.
Depois de um ano marcado pelas manifestações estudantis mais importantes desde a chegada da democracia, pedindo uma educação pública gratuita e de qualidade, o governo vê positivamente o aumento de jovens no censo.
"É um bom instrumento para canalizar a inquietude desses jovens que se mobilizaram, através do debate político e a representatividade política", destacou a correspondentes estrangeiros o secretário geral da Presidência, Cristian Larroulet.
Segundo o analista político Bernardo Navarrete, a mudança no censo não deve alterar substancialmente os resultados da participação.
"Estamos nos concentrando nos votos e não nos candidatos, e no fundo a oferta eleitoral não vai mudar", afirmou Navarrete, para quem esse é precisamente o motivo da baixa participação dos jovens.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Isso transcende o votar errado.

Este incidente ocorreu há mais ou menos uns três meses.

Eis que estou dirigindo tranquilamente em uma via de mão única, sinalizada como tal, repleta de carros estacionados em ambos os lados, e por isso com espaço apertado para passarem dois carros de largura média. 

Estou do lado direito, devagar, atrás de um carro cinza, que, faltando poucos metros para um cruzamento, resolve parar no meio da própria faixa, bloqueando-a, já que a parte próxima à calçada está totalmente tomada por carros estacionados. Ele liga o alerta e sai do carro em direção a uma loja qualquer.

Resolvo então passar para a faixa da esquerda, e quando começo a passar pelo carro cinza me dou contra que um outro carro havia dobrado o cruzamento e entrou na contramão. Este, vendo que o carro cinza estava com o alerta ligado, jogou-se na minha faixa e passou a piscar freneticamente os faróis. Em questão de segundos, no momento em que a frente do meu carro emparelhou com a frente do carro parado, o motorista na contramão já estava com o carro na frente do meu e continuava seu piscar neurótico de faróis, pelo que entendi, sugerindo que eu devesse dar ré e liberar a passagem para ele.

Ainda estupefato com a surrealidade da situação, sinalizei com a mão que não cederia à pressão do indivíduo, que, protegido do contato visual pelo parabrisa totalmente escuro, começou a buzinar com o mesmo frenesi que antes caracterizava seu piscar de faróis. Depois de alguns minutos de poluição sonora e constatando que eu realmente não iria tirar o carro, ele sai do veículo e tranca o mesmo, indo para a calçada e fazendo uma pose que, na falta de melhor descrição, parecia um pavão.

Nesse momento entra um outro carro na mão correta e pára atrás do meu carro. Olhando pelo retrovisor, verifico que a condutora é uma mulher de meia idade. O pavão sinaliza da calçada com o polegar apontado para baixo, motivando a mulher a abrir o vidro para ver do que se tratava, escutando então a ironia do pavão, de óculos escuros e cordão dourado, dizendo que infelizmente a rua estava fechada "porque tem gente que se acha melhor que os outros", e ele não tem culpa disso. A mulher retruca: "Mas você está contramão!", ao que o pavão responde "O que custa a ele dar uma ré? Ele está bloqueando a rua de propósito!". "Por que não pode ser VOCÊ a dar ré e desviar?" -- perguntou a mulher, e continuou "Afinal quem está na contramão é você, nada mais razoável que deixar quem está dentro da lei passar e depois, se quiser, fazer a sua bandalha." O pavão responde dizendo que ele estava vindo em alta velocidade, e na hora não podia dar ré. A mulher ironiza: "Então está duplamente errado, primeiro correndo e depois na contramão. E além disso, o que lhe impede de dar a ré agora?"

Essa foi a deixa para o pavão, olhando para o lado oposto ao da mulher e rolando os olhos, começar a balbuciar qualquer coisa sugerindo que ela, por ser mulher, não entendia nada de trânsito e estava "querendo consertar o mundo". 

Não satisfeito, o pavão resolve debochar e diz para mim e para a mulher que o carro dele não sairia dali, e que se não estivéssemos satisfeitos que chamássemos a polícia. E não é que era uma excelente ideia? Foi o que fizemos. Liguei do meu celular, dei o endereço do ocorrido e a placa pavonesca.

Quando desligo o celular (até que o atendimento do 190 não demorou muito), percebo que agora, além da mulher, está parada uma minivan atrás do meu carro (provavelmente também não parou na outra pista por causa do alerta do carro cinza), e o motorista, um cara que aparentava seus 30 anos, já estava saindo. Quando a mulher explica a situação, a reação dele é rápida: "Vamos então dar uma ré rapidinho e desbloquear a rua." Eu e a mulher obviamente fomos contra, até porque a polícia já estava a caminho. "O que é isso gente? Pra que dificultar", apela o cara recém-chegado. Ao perceber que manteríamos a nossa posição, o cara da minivan começa a ficar irritado, e percebendo que o dono do carro na contramão era o pavão que estava na calçada, vai lá conversar com ele.

"Porra, tá certo que você está errado, mas precisa criar esta encrenca e fechar a rua?" -- atiça o dono da minivan, dirigindo-se ao pássaro bloqueador e apontando para mim e a mulher. Em seguida, depois de um comentário debochado por parte do pavão, os dois ficam na calçada parados e olhando para a cena, o dono da minivan não mais aparentando que tinha pressa para passar. Nessa hora estou pensando comigo: é sério que em momento algum o cara vai pedir ao pavão para tirar o carro? De fato, e por absurdo que seja, o pedido não aconteceu. Os dois ficaram ali, imóveis. O inimaginável era realidade: o dono da minivan acreditava que o pavão tinha razão.

Vale ressaltar que a esta altura a rua a partir do carro do pavão continuava completamente livre (até porque para chegar ali por aquele lado, só mesmo trafegando pela contramão), e neste momento era muito mais fácil e rápido para o pavão dar a ré e desbloquear a rua, manobra que só envolveria o próprio carro dele, do que do nosso lado, que envolveria três carros. Sem contar o fato óbvio da infração de trânsito sendo cometida pelo pavão.

Ainda assim, havia ali aquelas duas pessoas paradas na calçada, em atitude condescendente, julgando que eu e a mulher estávamos exagerando devido à nossa recusa em tirar nossos carros. Os dois paladinos da arruaça REALMENTE criam que o moralmente correto era que déssemos a ré para proporcionar ao arruaceiro infrator espaço para cometer sua infração! Tando era verdadeira essa crença que, mesmo diante da iminente chegada da polícia, dali não arredavam pé.

Comecei a me perguntar se porventura o cara da minivan não seria um conhecido do pavão que tinha sido chamado para defendê-lo, mas não me recordava de ter visto o pavão falando em celular ou coisa parecida, então a hipótese era duvidosa. Por outro lado, seria possível que um desconhecido fosse tomar partido do cara desse jeito? E por que motivo? Será que uma pessoa aleatória defenderia algo grosseiramente errado somente a troco de sua conveniência? Não, certamente não era isso, afinal, como eu já disse, naquele altura a atitude correta ERA o mais conveniente para ele. O que era então? 

Meus pensamentos foram interrompidos pelas atenções de todos que se voltaram para um homem que ali chegou a pé e perguntava a razão daquele bloqueio. Tratava-se do dono do carro cinza, que colocava algumas sacolas no porta-malas ao mesmo tempo que a mulher se aproximava dele e passava a contar toda a história. "Vocês estão aqui desde a hora em que eu parei com o carro?" perguntou ele, surpreso, voltando-se para o pavão e seu assecla, parcialmente ignorando a mulher. "Para você ver", respondeu o pavão. O motorista do carro cinza olhou para mim e para a mulher e balançou a cabeça negativamente, em gesto de reprovação, e disse aos meliantes: "Vou sair agora e vocês podem passar. Já não basta ter que aturar esse calor, pior é ter que lidar com esse tipo de gente."

...

Pouco depois de chegar em casa, recebo no celular a ligação de um policial querendo saber se ainda era necessária a presença da polícia no incidente. E eu pensando o tempo todo que já estavam a caminho, mas também eles têm os motivos deles e não cabe a mim julgar. Enfim, eu digo que não, que que a situação tinha se resolvido, e ouço do policial que era bom que a situação já tivesse sido sanada, mas que a minha atitude tinha sido correta em ligar para eles.

Durante o banho que precedeu essa ligação, minha mente não conseguia ficar quieta diante da reação do motorista do carro cinza, e da expressão que ele tinha usado -- "Esse tipo de gente". Que tipo, o tipo que faz questão de respeitar os direitos dos outros, mas que não admite que seus direitos sejam violados? O tipo que se incomoda com anarquia gratuita, e que faz, sim, questão que as coisas sejam feitas dentro dos conformes? Sim, sou desse tipo mesmo.

No momento em que havia presenciado essa reação e essa expressão, achei mesmo um absurdo revoltante, mas conforme o tempo passou ficou mais clara a ideia de que, na verdade, a reação fazia sentido. Afinal, o carro cinza também estava cometendo uma infração; literalmente estacionando no meio da rua, efetivamente bloqueando-a. Não tinha por quê esperar que aquele motorista fosse propugnar pelo cumprimento das leis de trânsito. E aí, pensando nos três juntos, pavão, minivan e carro cinza, e em tantos outros que eu conheço, me ocorreu uma constatação mais assustadora: esses caras são a maioria, ou senão são pelo menos um número expressivo. A cultura do "jeitinho" e do "não tem problema" é a regra, não a exceção. E quem é contra essa regra é taxado de encrenqueiro e criador de caso.

E esse tipo de culto à desordem não se limita ao trânsito. É o jeitinho também de mentir para pagar menos imposto de renda, comprar sem nota fiscal para pagar menos porque o comerciante vai sonegar o ICMS, mentir o valor do imóvel para pagar menos imposto a partir do contrato, comprar DVD pirata com uma diferença de preço de às vezes 5 ou 10 reais.

Tá certo que se pode argumentar que os impostos no Brasil são excessivos, que existe bitributação, que o que se paga não corresponde aos serviços que recebemos, e que tudo isso acontece porque os políticos e empresários são corruptos e só pensam neles. Só que esses caras que estão lá roubando não brotatam lá do nada, eles saíram do meio de nós, da nossa sociedade, e foi nela que desde criança aprenderam que "não tem problema" ser desonesto. Aprende-se com os pais que para ser correto, basta não prejudicar ninguém injustamente. Sendo assim, enquanto cidadão, vai sonegar imposto, porque isso não prejudica ninguém em específico, e sim uma entidade impessoal. Uma vez que se acostuma que isso é aceitável, quando virar governante não vai ver problema também em roubar, afinal de contas também não está atingindo ninguém em específico, e sim uma entidade impessoal.

E nós vamos continuar ensinando tudo isso para nossos filhos, e mesmo que não ensinemos eles vão aprender com os amigos na escola, ou com os tios, ou depois de crescidos no trabalho. Um monte de "jeitinhos". Um comportamento aceito como normal, mas fundamentalmente tão corrupto quanto o dos políticos dos quais reclamam, só mudando as cifras envolvidas, e mesmo assim porque não têm acesso a cifras tão grandes.

Isso transcende o votar errado. Enquanto essa cultura continuar, não vai importar em quem votar, a corrupção não vai acabar nunca. Porque não são "aqueles lá" que roubam, pessoas distantes e com quem não temos nada a ver. São pessoas cuja desonestidade foi forjada pelo cotidiano do convívio com todo mundo que acha que "não tem problema".


(do amigo Alexandre Soares)