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epois de algum tempo inerte,
sem escrever, e com a esperança de mudanças, que nada poderia piorar, a gente
percebe que o caminho está mais difícil e que os políticos estão mais
preocupados em salvar suas peles do que realmente lutar por um país melhor.
A operação Lava-jato
incomoda quase a totalidade dos que estão no Congresso, inclusive a Presidência
e seus auxiliares mais próximos. O que podemos, ou melhor, o que devemos fazer?
Votar? Aprender a votar? Mas votar em
quem? Naqueles que estão sendo investigados e que por manobras políticas estão
ainda soltos e com privilégios? Como aceitar que políticos atrás de grades não
percam seus mandatos? Existe ética nisso?
Votar ou não votar? Deixar o encargo para aqueles que desejam que
tudo continue como está, seja lá pelas razões que entendem serem corretas? Ou
deixar para aqueles que conseguem ser eleitos como oposição e quando assumem
não mudam em nada os cenários que conhecemos bem? O que fazer?
Apesar disso, nada é pior do
que ser obrigado a votar, do que quebrar a democracia e obrigar você a dar seu
voto a alguém que você não confie ou não está de acordo com suas propostas. Se
você pode anular ou votar em branco, por que é obrigado a comparecer? Na
verdade sabemos da resposta e seria redundante falar sobre isso e é exatamente
para acabar com isso que nós, que pensamos na existência de um país totalmente
livre, sem nichos obrigatórios, queremos a liberdade de ir e vir numa cabine
eleitoral.
E enquanto não houver
coragem para mudar, de nos dar a liberdade que merecemos, de ouvir o desejo do
povo, dificilmente a confiança estará presente entre nós.
Por outro lado, um governo
substituto, mesmo que legal, mas igualmente comprometido como o anterior, tenta
agilizar ações que seus técnicos entendem como prioritárias e indispensáveis
como novas regras trabalhistas e previdenciárias.
Sabemos que alguma coisa
deve ser feita, mas nós, que estamos do outro lado, e não conseguimos enxergar
tão longe como os estudiosos que projetam os novos e necessários caminhos,
olhamos mais para as consequências, as que hoje nos cercam e as que são
projetadas por analistas mais ou menos pessimistas.
Nessa esperança por
reformas, a que poderia nos dar um norte, sem qualquer sombra de dúvidas seria
a reforma política, onde esperamos que o voto não obrigatório seja realmente
discutido, e não esquecido. No entanto a que deveria ser a primeira, foi mais
uma vez empurrada para depois, para um dia que pelo jeito tende a ser em outro
governo pois o atual deixa claro que não luta por isso.
Por outro lado, com o
intuito de minimizar a crise, e mostrar que a reforma política não está
esquecida e que a estão analisando, vem a público a proposta de uma “lista
fechada” para as eleições, ou seja, os eleitores deixariam de escolher os seus candidatos
para votar em uma lista de candidatos predefinida pelos partidos políticos.
Os que defendem a ideia,
afirmam que seria a melhor forma de reduzir o número de legendas, e
consequentemente dos partidos pequenos, principalmente os chamados partidos de
aluguel, e como consequência, fortaleceriam os grandes partidos.
E por aquilo que nós chamamos
de “coincidência”, os maiores envolvidos nas delações premiadas são exatamente
os que propagam a implantação desse modelo. Eles conseguiram o apoio de todas
as esferas, principalmente do legislativo e do judiciário.
Em contrapartida, aparecem
propostas como um sistema distrital misto, em que o eleitor vota tanto na
legenda quanto no seu candidato, definido por um distrito. É evidente que esse
modelo poderia dividir e até reduzir um pouco o poder dos grandes partidos e é
exatamente o que eles não desejam.
Claro
que tudo isso está diretamente ligado a uma intensa batalha contra a Lava-jato
e seus efeitos, que atualmente caminham tanto pela direita quanto pela esquerda.
É vista como uma tábua de salvação, principalmente para os mais poderosos, para
os donos dos partidos, uma barreira de proteção, pois numa lista criada pelos
próprios partidos, esses caciques certamente serão os primeiros das listas e a
renovação seria mínima.
Diante
desses fatos, dessas dúvidas, e de uma famigerada ideia de “lista fechada”, a
obrigatoriedade de votar com certeza deverá ser mantida e dificilmente o
legislativo levará tal proposta para decisão do povo, pois é praticamente certo
que a sociedade não está de acordo com esse modelo proposto, e caso não
estivermos obrigados a votar, com certeza os pleitos serão esvaziados, o que iria
demonstar de forma clara e inequívoca a insatisfação do povo e a queda na
popularidade de qualquer político que seja eleito.
Queremos
votar, participar, mas não podemos ser obrigados a votar!