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antas
reformas previstas e por que não acreditamos nelas? As propostas, em geral não
atendem as perspectivas do povo, muito pelo contrário, são extremamente ruins
para todos nós e sem perspectivas de melhoras.
A Reforma
da Previdência, vai do 8 ao 800, quando poderia ficar no 80, pois grande parte
da população até entende e aceita a necessidade de alguns ajustes, mas não
mudar tanto, e claro, trazer prejuízos bem maiores do que se poderia imaginar.
É
evidente que a expectativa de vida aumentou, que muitos já estão vivendo mais
tempo aposentado do que trabalhando. E que os empregos, por diversas razões,
não crescem no ritmo desejado e necessário, mas quando se olha para os lados,
quando se enxerga que o governo não corta na própria carne, que seus
representantes, em todos os poderes, que criaram vantagens inimagináveis em
outros países, fazem o possível e o impossível para que continuem com seus
incríveis privilégios, é fácil constatar que eles pensam primeiro neles e
depois no povo. Uma vergonha que nos
transforma em piadas ao redor do mundo democrático.
Os
parlamentares já apresentaram tantas emendas, muitas com modificações polêmicas,
que chegam a descaracterizar o projeto inicial, ou seja, o que já é ruim pode e
deve piorar.
É difícil,
por exemplo, entender a pretensão de reduzir o benefício mínimo para idosos, de
um salário mínimo, muito abaixo das necessidades de qualquer um, para pouco
mais da metade, ou então, a proposta da redução do teto de aposentadoria, que
hoje é em torno de R$ 5500,00, baixar para cerca de apenas R$ 2000,00, sendo
que nenhum parlamentar apresenta propostas para reduzir a fartura nas
aposentadorias existentes nos poderes legislativo, judiciário e executivo.
E o mais
interessante é que nenhum dos nobres responsáveis por definirem um “modelo
adequado” para a nossa Previdência, que votam politicamente, não consideram em
suas palavras, em suas propostas, os diversos rombos ocasionados por quadrilhas
de bandidos e corruptos, e os cálculos de técnicos e auditores, que chamam a
atenção de que o problema do déficit não é bem como se propaga, ou até mesmo
não existe, e as mudanças, na forma proposta, estão muito acima da real necessidade.
A Reforma
Trabalhista, em vigor, foi um verdadeiro remendo na colcha de retalhos
denominada Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), e teve como maiores
novidades, a criação, ou regularização, de duas modalidades de contratação de
empregados, ou seja, o trabalho intermitente, que regulariza a jornada de
trabalho ou hora de serviço, e o serviço conhecido como “home-office”, quando o
empregado presta serviço em casa.
São
situações que na prática já se verificavam, mas é claro que com a implantação
de regras, que normalmente engessam a liberdade que existia, alguns ajustes
deverão ser observados e revistos, mas foi um avanço necessário.
Em relação
aos pontos que sofreram alterações na CLT, é possível destacar o parcelamento
das férias em três períodos, a forma de contabilizar as horas extras, o rigor
maior para as gestantes, a redução nas horas de almoço, tudo voltado, segundo
os parlamentares, para se tentar a redução na demanda de ações na Justiça. Só
não explicam como poderá ser pacífica, a existência desses dois modelos de
trabalhadores numa mesma empresa. De um lado, aqueles que continuarão sob
contratos antigos, que não sofrerão mudanças, e os que serão contratados
amparados pelas novas regras.
Chegamos
nas mudanças no Sistema Eleitoral. As
polêmicas são grandes e o Projeto caminha entre a Câmara e o Senado, e esbarra
até mesmo na exigência de parlamentares que veem como instrumento ideal para
sua aprovação, uma consulta popular, o plebiscito, e claro que desagrada a
maioria de nossos ilustres parlamentares.
Na
Câmara, o grande debate é quanto à mudança , radical, na forma de eleger deputados
e vereadores no Brasil, o chamado “distritão”, onde afirmam que apenas os
candidatos mais votados deverão ser eleitos para o Parlamento, deixando de lado
o sistema de percentual eleitoral, que considera também os votos do partido
como um todo, e não apenas dos candidatos.
Apesar de
parecer ser o modelo mais lógico, simples e democrático, não é uma unanimidade,
inclusive para diversos analistas, que criticam o modelo pois o mesmo não irá
traduzir a representatividade dos partidos, e do próprio Governo.
Entende-se
que um sistema sem representatividade é bem mais vantajoso para os candidatos mais
populares, mais conhecidos, ou então que
possuem mais poder nas mídias, tanto do
próprio partido, quanto do próprio bolso. Com certeza irá dificultar na
renovação das casas políticas.
Outros
pontos em destaques envolvem a reeleição, o fim das coligações, dos pequenos
partidos, e o polêmico financiamento de campanha por empresas privadas, o que
levaria o próprio Governo a abrir os cofres para uma quantia muito acima do
orçamento de algumas pastas. E fica a
pergunta: QUEM PAGA?
Num canto
perdido, existe a proposta de retirar a obrigação de votar. Uma emenda que dificilmente terá
prosseguimento e que, infelizmente, nos manterá no rol dos poucos países que
ainda mantém essa prática que mancha a democracia.
Em
resumo, se as reformas se traduzem por mudanças que visam aperfeiçoar um
sistema, inclusive o eleitoral, entendemos que fica sem sentido manter ou criar
obrigações antidemocráticas, ou mesmo as que tragam prejuízos (desnecessários)
para um povo sofrido, como o brasileiro.
E se
existem tantas dúvidas, principalmente em relação às mudanças no sistema
eleitoral, cujas propostas não tem comum acordo nem mesmo entre os
parlamentares, seria muito melhor para o Parlamento, muito mais isento, que
pelo menos essa Reforma Eleitoral fosse aprovada em plebiscito popular, onde
cada ponto seria apresentado para ser ou não aprovado.
Uma
segunda opção seria o uso do recurso do “referendo”, onde os congressistas
trabalham a proposta final e caberia à população concordar ou não com o que
está sendo proposto.
Infelizmente
não enxergamos muito progresso nas opções, ou melhor, nas soluções encontradas
para os problemas existentes, mas de uma coisa temos certeza, se as dúvidas
existem, e se nossos congressistas desejam uma solução mais democrática, o aval
da população seria essencial, seja pelo “plebiscito”, um modelo mais completo,
ou pelo “referendo”, onde o congressista tem mais força mas que também depende
da opinião direta da sociedade.
É viver
para ver.