segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

Ameaça comunista


Recebi este texto pela Internet:

👉🏿 Até 1953 a Inglaterra ficava com 90% do faturamento do petróleo no Irã. Depois de anos buscando um acordo mais justo, tipo 50%-50%, um político iraniano democraticamente eleito, Mohammed Mossadegh nacionalizou a porra toda.
👉🏿A Inglaterra pediu ajuda aos EUA usando as palavras mágicas: "ameaça comunista". De novo essa conversa mole.
👉🏿 O Irã nacionaliza o petróleo iraniano e isso chega na City of London e Wall Street como "ameaça comunista".
👉🏿 Os dois “aliados”deram mais um golpe de Estado para lista, colocaram um Rei/ditador pilantra e sanguinário no poder, o Xá Reza Pahlevi, e mamaram petróleo barato direto do solo iraniano.
👉🏿 Essa moleza só terminou quando o Aiatolá Khomeini passou o cerol em geral na Revolução Iraniana em 1979.
👉🏿 Até então os EUA eram um país admirado pelo Irã, só os britânicos tinham o filme queimado.
👉🏿 Processo parecido aconteceu na Indonésia quando o presidente Sukarno nacionalizou o petróleo, foi chamado de comunista, derrubado pela Holanda, França, EUA e Inglaterra, que colocaram um ditador chamado Suharto no poder e este por sua vez promoveu um genocídio de meio milhão de pessoas em poucos meses.
👉🏿E só para lembrar, a Venezuela tem a maior reserva de petróleo do mundo... daí vocês já imaginam quais são os interesses internacionais para aquele país.
👉🏿 O recente golpe parlamentar no Brasil, patrocinado pelos “Estados Unidos”, teve também como principal objetivo a usurpação do nosso Petróleo, especialmente o petróleo do pré-sal. Como desculpa, a corrupção e os comunistas do PT.
👉🏿Então, da próxima vez que você se perguntar: "nossa, de onde vem essa raiva toda?", não é raiva, é apenas noção de que esses interesses econômicos se repetem.
👉🏿Lembrem-se disso e do pensamento do “liberal” Mises, que anda bastante em voga na cabeça dos brasileiros (menos Marx, mais Mises, lembra?), que dizia que a democracia popular é a maior ameaça ao capitalismo e que o fascismo salvou a civilização europeia.
👉🏿E para manter uma nação submissa e colonizada, além de saquear suas riquezas, é necessário impedir o seu desenvolvimento intelectual e Cultural.
👉🏿Veja o que está acontecendo no Brasil em nosso sistema educacional, especialmente com as Universidades e com os Institutos de Pesquisa.
(O texto assinado por LUIZ CONDESSA, advogado e político paranaense)

Não me considero um especialista do assunto, mas como é um texto que entendemos ser nitidamente parcial, podemos tecer algumas observações.
O Irã nunca foi uma democracia plena. Um país sempre envolvido em lutas pelo poder desde seus tempos persas mais longínquos.
Com o advento do petróleo, foi necessário apoio de vários países já conhecedores da tecnologia de exploração para desenvolver seus campos, com destaque para a Inglaterra, que por contratos decorrentes dessa ajuda fornecida, detinha uma boa percentagem do óleo vendido pelo Irã. Era uma situação decorrente dos investimentos realizados, inclusive com prazos fixados, mas que com o passar do tempo, alguns políticos iranianos viram nesta situação, uma oportunidade para alcançarem o poder.  E para buscar o apoio popular  e demonstrarem união e força no poder, tinham que crucificar aqueles que mais ajudaram no desenvolvimento do país.
Com a vitória nas urnas, Mohammed Mossadegh, já com o discurso centralizador, nacionaliza sua maior fonte de riqueza. Bom para o grupo que detém o poder, como é comum em todo o Estado que segue essa linha de ação, e claro, um povo subjugado e mantido pelo poder central e com o uso da força.
O eleito de forma democrática, como era de se esperar, torna-se um novo ditador, mais um passo comum e bem conhecido nos países com essa posição política.
O Irã, diante de suas ações contra a Inglaterra,  é visto e abraçado pelo outro lado do mundo. Mas está com ações nas Bolsas e isso vai de encontro à posição democrática, liberal, da maioria dos países capitalistas,  inclusive os EUA, envolvidos com o avanço do poder do petróleo.
E diante de sua aproximação com os países do Leste, nada mais natural que surgisse uma outra força no país que lutasse contra as atrocidades já existentes por parte do Estado.
E para combater o tirano, tem q ser forte e com grandes aliados, e daí surge um novo líder, um Rei que muda o destino do país, mas que para alcançar seu sucesso, luta com armas de mesmo calibre, e claro, se aproxima com os que estiveram ao seu lado, atitude comum em qualquer disputa pelo poder.
E o Xá fez o Irã crescer mais ainda, principalmente na produção e venda de seu precioso petróleo. O país evoluiu, mas com mão de ferro, centralizada, como é a própria história do Irã.
E uma outra brecha para o poder se abriu. A força religiosa de  fanáticos, que  com apoio das forças  de esquerda, contra o capitalismo americano, faz a Revolução Iraniana.
E novamente o sangue jorrou, agora debaixo de uma saga religiosa com apoio de grupos  terroristas, que mudaram o perfil do país.
Em paralelo, uma outra guerra histórica, que parecia não ter fim, contra o vizinho Iraque, que além dos conceitos religiosos, tem também no petróleo muitas razões para outras disputas locais.
É um processo repetitivo, que talvez continue, nunca acabe, inclusive em outras partes do mundo, onde os países mais liberais, humanistas, democratas,  em geral, capitalistas, se posicionam frontalmente contra os que se colocam como centralizadores, radicais e que mesmo eleitos, se comportam como verdadeiros ditadores, e  normalmente com apoio do bloco socialista.
A Venezuela, por exemplo, considerada a jóia da América do Sul, rica em petróleo, de lindas mulheres, e um povo de alto nível, se deixou submeter a um político, militar, Hugo Chávez, eleito pelo povo, que ficou 14 anos no poder, e literalmente acabou com a beleza do país.  Governou o país até sua morte, quando o país foi entregue ao maquinista (Maduro)  que  contribuiu mais ainda para o declínio do país, e para garantir seu poder, se coloca totalmente  alinhado com as repúblicas socialistas que, tanto quanto as capitalistas, não o apoiam somente pelas belezas do país, ou por seus ideais políticos controversos, mas muito mais pelas riquezas ainda não exploradas, e novamente o petróleo é a grande moeda em jogo.
A rica Venezuela, de luxo passou para o lixo da América,  e o cabo de guerra entre a democracia capitalista e o socialismo (com interesses bem próximos ) deve continuar por mais algum tempo.
Em seguida, o autor chega ao Brasil, e neste ponto deixa bem claro a tendência de seu texto, pois tenta repassar a ideia de que o julgamento de um processo político-criminal (impeachment), realizado de forma legal e democrática, que comprovou o crime de responsabilidade por parte da Presidente Dilma (PT), foi um golpe, e todos nós sabemos que não foi.  E afirma que acusar a existência de comunistas no PT (é mentira?) e a corrupção, que aflorou em todas as instâncias do governo, e que até hoje, quase que diariamente, faz parte dos noticiários, são apenas  desculpas para desviar uma fantasiosa usurpação de nosso petróleo. Neste ponto, o autor navega em um extremismo, é como se nada tivesse ocorrido no país.  Mas podemos afirmar, com convicção, de que tais fatos não são desculpas, não é raiva gratuita, é sim, a mais pura e dolorosa realidade.
O autor ainda comenta sobre Mises e Marx, e pinça palavras de frases fora de um contexto onde tenta simplificar a complexa  ideia de capitalismo e fascismo, o que me faz lembrar uma frase que poderia complementar a dele, ou seja,  “A pior coisa que pode acontecer a um socialista é ter seu país governado por socialistas que não são seus amigos” , de Ludwig von Mises.
E por fim,  chama a atenção para a situação decadente do sistema educacional do Brasil, aqui mais uma vez sendo extremamente parcial, inclusive com insinuação da existência de um comportamento fascista por parte do Estado, e tenta passar a ideia de que esta decadência na educação é um fato de agora, deste momento, e não uma consequência de um tempo anterior, de governos anteriores que sucessivamente reduziram os investimentos na área.  Nos últimos 10 anos, a educação, principalmente nas Universidades, despencou para níveis extremamente baixos, o que faz com que o governo atual tenha a obrigação de rever os procedimentos adotados para que o Brasil tente recuperar uma boa parte do tempo perdido .
Como dito no início de minhas observações, não me considero um especialista no assunto, mas a forma apresentada pelo texto nos favorece, tanto para entender as reais intenções do autor quanto para que possamos ter condições de tentar esclarecer o nosso pensamento a respeito dos assuntos abordados.