Assessor avisa: Cachoeira vai abrir as comportas
MINO PEDROSA, QUE FOI ASSESSOR DE CARLOS CACHOEIRA E DISTRIBUIU A FITA DE WALDOMIRO DINIZ, MANDA RECADO POR MEIO DE UM BLOG: DIZ QUE, NO CALOR DA CELA EM MOSSORÓ, CACHOEIRA PENSA EM CONTAR TUDO; O PRIMEIRO NOME CITADO FOI O DO DEPUTADO MIRO TEIXEIRA; ELE AMEAÇA ATÉ ARRECADADORES DA CAMPANHA DE DILMA
13 de Abril de 2012 às 07:16
247 – Mino Pedrosa é um dos jornalistas mais polêmicos de Brasília. Há quem ainda o considere repórter investigativo, outros o tratam como lobista e há ainda aquelas que usam qualificações impublicáveis. Em seu currículo, consta um dos maiores furos de reportagem da história da imprensa brasileira. Foi ele quem, em 1992, revelou a história do motorista Eriberto França, que selou o impeachment do ex-presidente Fernando Collor. É da sua lavra também a revelação de um escândalo de grampos clandestinos, que abateu Antônio Carlos Magalhães. Em 2004, Mino estava afastado das redações. Era assessor do bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Foi ele quem fez circular entre algumas redações a fita em que Waldomiro Diniz, ex-assessor da Casa Civil, pede propina ao bicheiro, no primeiro escândalo do governo Lula. Mino e Cachoeira são amigos. Mais: são íntimos. E foi nesta condição que o jornalista escreveu um texto no seu blogQuidnovi, que manda recados diversos. Aponta para uma suposta relação entre o bicheiro e o deputado Miro Teixeira (PDT/RJ), ex-ministro das Comunicações do governo Lula, e avisa que o contraventor está uma pilha de nervos. Pronto para abrir as comportas do seu mar de lama. Até arrecadadores da campanha presidencial de Dilma Rousseff teriam se banhado em sua cachoeira. Leia o recado de Cachoeira, transmitido por Mino Pedrosa:
No dia 29 de fevereiro uma operação deflagrada pela Polícia Federal batizada de Monte Carlo levou para o presídio de Mossoró, no Rio Grande do Norte, Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Com ele, ficaram presos os segredos envolvendo políticos, empresários, funcionários públicos que sustentavam todo um esquema de corrupção.
Foi o Partido dos Trabalhadores que preparou a armadilha para flagrar Cachoeira e silenciar a oposição representada por Demóstenes Torres (DEM-GO) já que Aécio Neves (PSDB-MG) havia recuado por temer represálias. O tiro saiu pela culatra. A operação que se estendeu por quatro Estados – Rio de Janeiro, Distrito Federal, Goiás e Mato Grosso do Sul - fugiu do controle do Planalto e flagrou a ligação do PT e partidos da base aliada do Governo Dilma com o contraventor.
Carlinhos tem um verdadeiro arsenal que acumulou nos últimos 15 anos. Tímido, porém simpático, além de muito generoso, Cachoeira envolveu pessoas do alto escalão da República. O PT, que empurra a espada sobre Demóstenes Torres, começa a se preocupar com o quintal da sua casa. E para salvar a pátria, entra em cena, mais uma vez, o conceituado defensor e jurista Márcio Thomaz Bastos.
Foi no episódio de Valdomiro Diniz, assessor direto do então ministro da Casa Civil José Dirceu, que Valdomiro foi filmado pedindo propina para campanhas petista. Márcio Thomaz Bastos, na época ministro da Justiça, atuou fortemente para evitar o primeiro grande escândalo do Governo Lula.
Ali ficava clara a afinidade do PT com o jogo e a contravenção. Thomaz Bastos escalou rapidamente o advogado de plantão Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, para defender Valdomiro Diniz e silenciar Cachoeira evitando que o escândalo alcançasse e derrubasse o então chefe da Casa Civil e todo poderoso do Governo Lula José Dirceu.
Agora, mais uma vez, Thomaz Bastos é convocado, em caráter de urgência, para represar a enxurrada de denúncias que Cachoeira está prestes a soltar.
No cenário pintado por Cachoeira, Demóstenes não passa de uma piaba, ou melhor, um peixe pequeno, que o Ministério Público tenta sevar com denúncias inconsistentes para não ser obrigado a pescar os peixes grandes do PT e da base aliada do Governo.
Enquanto isso, em Mossoró, num calor de 43 graus, Carlinhos arde dentro da cela e prepara seu próximo torpedo em direção ao Planalto. São interlocutores das campanhas presidenciais do PT de Lula e Dilma, que receberam doações de Caixa 2 de Carlinhos que garante que registrou tudo.
Nos corredores do Ministério Público Federal se ouve falar de grandes nomes da política nacional envolvidos na contravenção. Um desses, seria o deputado carioca Miro Teixeira, ministro das Comunicações no Governo Lula e ex- PP, ex-PMDB, ex- PDT, ex- PPS, ex-PT e desde 2005 novamente PDT, hoje na base aliada do Governo Dilma. Essa história acontece exatamente no momento em que a presidente olha para Miro com olhos de promessa de um novo ministério. A depender do PDT.
Com a derrota do habeas corpus impetrado pelos advogados de Carlos Cachoeira, mas já com texto de Marcio Thomaz Bastos, o jurista achou necessário assumir a defesa do contraventor. Afinal,o PT não quer que o texto do MP seja repetido no segundo HC impetrado hoje pelo ex-ministro da Justiça.
Nas palavras do MP, “Ao contrário do que afirma a defesa, Carlinhos Cachoeira não ostenta condições favoráveis, seja porque não demonstrou possuir trabalho lícito ou porque não possui bons antecedentes criminais. Uma rápida consulta na internet permite constatar a existência de pelo menos três ações penais em três diferentes estados da Federação contra o acusado”.
Os fragmentos da Operação Monte Carlo atingem ainda várias pessoas influentes de Brasília e outros Estados. Estão sob segredo no MPF os nomes dos políticos que não interessa ao Planalto vazar para a imprensa.
Cachoeira tem recebido visita da esposa, orientada por Márcio Thomaz Bastos, a convencê-lo a não detonar o arsenal contra tudo e contra todos. Andressa temendo que o marido não consiga o habeas corpus, conforme o jurista lhe disse, batalha para Carlinhos segurar seu arsenal de denúncias. O difícil é convencer o contraventor a mudar o alvo tendo o calor e a raiva como aliados na cela 17 do presídio em Mossoró.
"Senador tem preço. É só pagar que dá um jeito"
DE ACORDO COM EX-ASSESSOR DE CARLOS CACHOEIRA, ESTA FRASE FOI DITA PELO DONO DA DELTA, FERNANDO CAVENDISH, NUMA REUNIÃO DE DIRETORIA; PARA QUEM CONHECE O MODUS OPERANDI DO BICHEIRO, É GRANDE A POSSIBILIDADE DE QUE TENHA SIDO GRAVADA; CPI VAI INVESTIGAR A EMPRESA QUE MAIS RECEBEU RECURSOS DO PAC
12 de Abril de 2012 às 21:01
247 – Ex-assessor do bicheiro Carlos Cachoeira, que está preso desde 29 de fevereiro na cela 17 do presídio de Mossoró, no Rio Grande do Norte, o jornalista Mino Pedrosa já avisou, por meio de seu blog Quidnovi que o bicheiro pretende contar tudo o que sabe (leia mais aqui). Mino fala com a autoridade de quem distribuiu as fitas do caso Waldomiro Diniz e manda um recado direto à classe política. Num outro texto, Mino também envia uma mensagem ao dono da Delta, Fernando Cavendish. Menciona uma frase dita pelo empreiteiro numa reunião de diretoria da companhia. “Senador tem preço. É só pagar que ele dá um jeitinho”, teria dito Cavendish. Para quem conhece os métodos de Cachoeira, é de se imaginar que a conversa tenha sido gravada. Segundo Mino Pedrosa, o contraventor era parceiro do empreiteiro e pretendia se tornar dono da Delta, consolidando seu plano de migrar das atividades ilegais para negócios lícitos – ou, pelo menos, mais lícitos.
Nesta quinta-feira, a editora do Painel da Folha de S. Paulo, Vera Magalhães, alertou que a CPI de Carlos Cachoeira corre o risco de se transformar na CPI do PAC, uma vez que a Delta foi a empreiteira que mais recebeu recursos do programa federal nos últimos anos. Nada menos que R$ 4 bilhões. Em notas oficiais, a Delta tem reiterado que demitiu seu diretor em Goiás, Claudio Abreu, e que Cavendish e Cachoeira só estiveram juntos num evento social.
Leia, abaixo, o trecho do texto “Que bicho é esse”, em que Mino Pedrosa menciona a frase supostamente dita por Cavendish sobre o preço de senadores:
O que chamou a atenção do MPF foi o modus operandi de Carlinhos Cachoeira. A equipe que trabalha com ele faz monitoramento clandestino eletrônico e telefônico de empresários, políticos e jornalistas. Carlinhos também tem o costume de gravar as conversas durante seus encontros. Tudo isso fazia parte de um plano do “empresário do jogo” para comprar parte da Delta e se tornar parceiro de Fernando Cavendish, o presidente da Delta que recentemente durante uma reunião de diretoria da empresa disse na mesa que é muito fácil comprar um senador da base governista para conseguir obras. “Senador tem preço é só pagar que ele dá um jeitinho ”
O mais interessante é que até agora o Senado não chamou o empresário para explicar por quanto é possível comprar um senador.
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